domingo, 9 de novembro de 2014

Indo e voltando

Quero é amar-te
Levantara-me
Voltei
Quis dizer
Quero é amar-te

Quero é beijar-te
Lavara-me
Voltei
Quis dizer
Quero é beijar-te

Quero é abraçar-te
Levantara-me
Voltei
Quis dizer
Quero é abraçar-te

Quero
Por isto o fiz
Fazendo, retornei
Queria no fundo dizer-te

Amo-te

Amigo

Houve um tempo em que imaginei as verdadeiras amizades seriam eternas. E nesse sentido sempre me tive como alguém privilegiado. Boas amizades, e poucas. Ter poucas, inclusive, veio reforçar o privilégio que imaginei ter.

Já tive oportunidade de dizer, já a tive até de escrever. Já me imaginei tendo um amigo pra vida toda. Um amigo que soubesse de mim. Amigo é tão importante. A minha sorte é que nunca deixei de ter um.

Já tive amigos de todas as características. Mas uns dois, ou três, ou quatro, novos ou velhos, de antes, ou de agora, os tive. Tive até aquele que, pelo companheirismo, pela presença, física, inclusive, pelas risadas, pelas tristezas, pelo amor (é, pelo amor), sempre esteve comigo. Aquele que cria era e sempre seria talvez o meu maior amigo. Junto com outros que a ele se somassem, que fosse. Mas ele seria.

Aí você pensa o que fazer com todo aquele amor. Aí você pensa que tem que aprender a lidar com aquela ausência. Aí você pensa que continua amando, mesmo assim. Aí você pensa que esse tal de amor é uma merda, e não é, exato porque é amor. Aí você quer mesmo é que esse amigo seja feliz. Mesmo que você não participe dessa felicidade. Aí você, triste e com saudade o seja, que seja, reza por ele.


Sentires

Quando o que se sente
Se sente, mas parece diferente
É tudo, que mais pode
Mas não parece, olhando

Quando o que se sente
Se sente, e parece maior
É tanto, que tanto é
E olhando, parece

O que se sente
Tão grande é
O que é sentido
Ser parece não

O que se sente
Sua vida toma
O que é sentido
Falta, parece

Quando o que se sente
Se sente, maior não há
É tanto, você sente
E olhando, parece

O que se sente
Enche seu coração
O que é sentido
Coração parece vago

O que se sente
É tão grande
O que é sentido

Quer ser

Que me importam...


Que me importam as desilusões

Que sofri por não ter conseguido imaginá-las viriam

Que me importam as tristezas

Para as quais não fui capaz de me preparar

Que me importam as decepções

Que jamais as imaginaria (até por isto)

Que me importam os dias tristes

Que me importam as dores

Que me importam as falsidades

Que me importam as dificuldades


Que me importa a solidão

Se você jamais deixará de estar comigo...

sexta-feira, 20 de junho de 2014

A serventia do amigo


revnilsonjr.wordpress.com/2010/09/13/bom-amigo/
Pra que serve o verdadeiro amigo, senão pra sê-lo?

Amigo não basta estar fisicamente perto, se está longe, ou fisicamente longe, mesmo, e você imaginar, desejar, ou (tentar) crer que ele o é. Não se mede pela proximidade, ou pela distância. Amigo deve ser presente. Estar perto não significa necessariamente estar próximo; longe, tampouco distante. É poder ser sentido perto, ainda quando fisicamente longe. Não se fica perto por telepatia, porém. Para estar perto é preciso mais que necessidade. Precisa ter vontade, e fazer por onde se estar, e fazer acontecer. Estar presente, não porque aconteceu de estar, mas por ser o resultado, até, de uma ausência sentida que se buscou ver suprida. Até porque amigo é alguém que cativou e foi cativado, de modo que ele é tão responsável por você quanto você o é por ele; lembra? Daí que se você já foi um amigo perto, e não é mais, tal não aconteceu por direito seu, embora por vontade sua.

Você saberá quem é seu amigo não apenas no infortúnio, na eventual desgraça (que se espera não se a experimente), na tristeza, mas talvez principalmente na alegria e no sucesso. Quer reconhecer um amigo (ou não), veja como ele se comporta frente a um sucesso que você alcance, uma conquista. A reação frente a qualquer coisa que sujeite você a ser admirado já será suficiente pra perceber se ele é amigo ou não. Não raro dirá mais do que o que lhe oferece um “ombro” na tristeza. Amigo na tristeza é tão fácil como ser amigo para usufruir do sucesso que o outro alcançou. Amigo não é necessariamente o dono do ombro onde você chorou. Mas pode definitivamente não o ser, se nem o ombro te deu. É mais ou menos como linha telefônica que não falha. A ligação é invariavelmente completada, e você usa, muito, porque o número é favorito.

Amigo é aquele que sente a sua falta, e de quem você sente falta, e que faz falta, mesmo até quando você tem um amor. Há quem pretenda substituir-se, enquanto amor, a amigo. E há quem tente substituir amigo por amor. Essencialmente impossível. Simplesmente porque uma coisa não tem nada a ver com a outra. Nem se completam, nem se excluem, nem se conflitam. Por isto mesmo, ai do amor que não é amigo. Amar imprescinde da amizade. Se o amor não for amigo, tampouco é amor. Donde a responsabilidade do amor, mas isto é outra história.

O melhor amigo, ou o grande amigo é aquele que está lá antes de você imaginar que vai precisar dele, ou não. Nem que seja pra comemorar.


No fundo, amigo deve servir mesmo é pra quando você não precisa dele. No mais, ele atua. Afinal, é amigo.