domingo, 9 de novembro de 2014

Que me importam...


Que me importam as desilusões

Que sofri por não ter conseguido imaginá-las viriam

Que me importam as tristezas

Para as quais não fui capaz de me preparar

Que me importam as decepções

Que jamais as imaginaria (até por isto)

Que me importam os dias tristes

Que me importam as dores

Que me importam as falsidades

Que me importam as dificuldades


Que me importa a solidão

Se você jamais deixará de estar comigo...

sexta-feira, 20 de junho de 2014

A serventia do amigo


revnilsonjr.wordpress.com/2010/09/13/bom-amigo/
Pra que serve o verdadeiro amigo, senão pra sê-lo?

Amigo não basta estar fisicamente perto, se está longe, ou fisicamente longe, mesmo, e você imaginar, desejar, ou (tentar) crer que ele o é. Não se mede pela proximidade, ou pela distância. Amigo deve ser presente. Estar perto não significa necessariamente estar próximo; longe, tampouco distante. É poder ser sentido perto, ainda quando fisicamente longe. Não se fica perto por telepatia, porém. Para estar perto é preciso mais que necessidade. Precisa ter vontade, e fazer por onde se estar, e fazer acontecer. Estar presente, não porque aconteceu de estar, mas por ser o resultado, até, de uma ausência sentida que se buscou ver suprida. Até porque amigo é alguém que cativou e foi cativado, de modo que ele é tão responsável por você quanto você o é por ele; lembra? Daí que se você já foi um amigo perto, e não é mais, tal não aconteceu por direito seu, embora por vontade sua.

Você saberá quem é seu amigo não apenas no infortúnio, na eventual desgraça (que se espera não se a experimente), na tristeza, mas talvez principalmente na alegria e no sucesso. Quer reconhecer um amigo (ou não), veja como ele se comporta frente a um sucesso que você alcance, uma conquista. A reação frente a qualquer coisa que sujeite você a ser admirado já será suficiente pra perceber se ele é amigo ou não. Não raro dirá mais do que o que lhe oferece um “ombro” na tristeza. Amigo na tristeza é tão fácil como ser amigo para usufruir do sucesso que o outro alcançou. Amigo não é necessariamente o dono do ombro onde você chorou. Mas pode definitivamente não o ser, se nem o ombro te deu. É mais ou menos como linha telefônica que não falha. A ligação é invariavelmente completada, e você usa, muito, porque o número é favorito.

Amigo é aquele que sente a sua falta, e de quem você sente falta, e que faz falta, mesmo até quando você tem um amor. Há quem pretenda substituir-se, enquanto amor, a amigo. E há quem tente substituir amigo por amor. Essencialmente impossível. Simplesmente porque uma coisa não tem nada a ver com a outra. Nem se completam, nem se excluem, nem se conflitam. Por isto mesmo, ai do amor que não é amigo. Amar imprescinde da amizade. Se o amor não for amigo, tampouco é amor. Donde a responsabilidade do amor, mas isto é outra história.

O melhor amigo, ou o grande amigo é aquele que está lá antes de você imaginar que vai precisar dele, ou não. Nem que seja pra comemorar.


No fundo, amigo deve servir mesmo é pra quando você não precisa dele. No mais, ele atua. Afinal, é amigo.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Aniversário

Foto no Hotel Jatiúca - Onde meu pai,
médico, fora homenageado pela Santa 
Casa de Misericórdia de Maceió.
Por que me sinto triste?
É meu aniversário e me sinto triste.
Saio do quarto, de manhã ainda cedo, meu filho já está aqui pra me ver.
Dá-me um abraço, meio desconcertado, mas tomado de amor.
Minhas palavras não fluíam com facilidade, pareciam querer ficar guardadas enquanto conversávamos, percebia.
E agora, enquanto escrevo, ele ainda permanece comigo, deitado bem próximo, meio cochilando.
Mas ainda me sinto triste.
Recebi felicitações várias, já, pela passagem de meu aniversário.
Inclusive da mulher que escolhi pra tentar fazer feliz, e de minhas duas filhas tão incondicionalmente queridas.
Todas me emocionaram.
Mas ainda continuo triste.
Há pouco estive com minha mãe em seu quarto.
Disse-me mais de dezena de “te amo” para mim, com olhos e gestos que não diziam outra coisa.
Tão linda, tão boa, tão mãe...
Mas ainda me sinto triste.
Entretanto, é meu aniversário.
E eu queria estar alegre, como vejo tantas pessoas que curtem mais aniversário do que eu ficarem.
Sim, porque eu também não sou, tipo assim (como dizem os jovens de hoje) louco, loucaço pelo meu aniversário.
Meu prazer é mais introspectivo e intimista, além de reflexivo, sempre percebi.
Mas junto, ou ao lado, normalmente está a alegria.
Hoje me sinto especialmente triste, porém.
Daí ter vindo escrever.
Tentativa de tentar me entender e ao que sinto hoje.
E de afastar de mim a tristeza de hoje.
Especialmente hoje.
Há pouco olhei meu filho que agora talvez já tenha entabulado o sono.
E ao vê-lo e o quanto o amo, pensei nas outras pessoas a quem também amo e que merecem e esperam a minha alegria, pelo menos boa parte do quanto eu próprio espero e mereço de mim mesmo.
Entretanto, é meu aniversário e continuo me sentindo triste.
Pensei também em você.
Pensei foi o tempo todo.
Desde que me acordei, penso em você.
Especialmente hoje, talvez porque hoje seja meu aniversário, como você também sabe.
Então sinto que tenho que segurar as lágrimas, ou deixá-las escorrer pelo meu rosto, soltando a natureza que me fala por meio delas e do aperto que meu coração me dá, ou sofre.
O fato é que elas estão em mim, adornando minha tristeza, ou querendo justamente limpá-la da minha alma.
E me dizendo, com a sua luz molhada, que você não me quer triste.
Então deixo que elas venham e se juntem a nós num abraço de filho pra pai.
Talvez o maior abraço que já nos demos.
Talvez parecido como o que há pouco voltei a dar no meu filho, ao nos despedirmos para daqui a pouco.
E dessa vez foi tão intenso...
Que talvez ao abraçá-lo tenha dado esse abraço em você também.
Não duvido você o tenha guiado até aqui logo cedo para me ver e me mostrar o seu amor por meio do amor dele.
Talvez também para lembrar-me de que por mais que eu tenha direito de estar triste, ela deve em algum momento ceder à alegria.
Por eles, por mim. E hoje, principalmente hoje, por você.
E então ouço você me dizer pra eu ter um “feliz aniversário”.
E sinto que na medida do possível eu devo procurar ter um “feliz aniversário”.
E tentar não me sentir triste.
Porque eu agora descubro que na verdade estou triste por você, e você não merece ser o motivo de minha tristeza, senão de minha alegria.
Ainda que essa tristeza por você signifique a tristeza pela sua ausência, tão recente.
Então eu choro mais um tanto, do tanto que já chorei.
Mas pareço encontrar forças para ficar alegre (ou tento acreditar nisto).
E as lágrimas parecem se transformar em lágrimas de agradecimento e de alegria.
E vejo que se a tristeza é pela sua falta, a alegria deverá ser por você.
Então vou tentar ficar com alguma.
Hoje é meu aniversário de 50 anos.
Dessa vez, especialmente, estou e estarei com poucos, muito poucos.
E por mim e por eles vou tentar ficar menos triste, ou alegre, vá lá.
Vou tentar.
Principalmente por você, meu pai.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Homenagem ao meu pai

Pequena homenagem ao meu pai,
por ocasião de seu falecimento
Missa de 7º Dia - Maceió - Alagoas

sábado, 25 de janeiro de 2014

Vai criar jeito, aí...

Seu olhar, pra raiz
Pescoço pende
Olhar vago
Levanta a cabeça, pai
Vai criar jeito, aí...

Bom entristecer-me, não
Pensando, não
Até consigo, na hora
Levanta a cabeça, pai
Vai criar jeito, aí...

Como fosse mania nova
Nada demais, normal
Tento não olhar, vendo
Levanta a cabeça, pai
Vai criar jeito, aí...

Olhar seu, pra frente
Obediência relutante
Meu cuidador, era
Levanta a cabeça, pai
Vai criar jeito, aí...

De repente, memória
Acorda! Tá na hora! A aula!
Eu, então cuidado
Levanta a cabeça, pai
Vai criar jeito, aí...

Difícil, pai
Algumas horas, mais
Olhar não, consigo, não
Levanta a cabeça, pai
Vai criar jeito, aí...

Saudade, pai
Ser cuidado, ainda
Cuidador, preparado?
Levanta a cabeça, pai
Vai criar jeito, aí...

Acarinho os ombros
Ossos, mais o que sinto
Com pouca carne, estranho
Levanta a cabeça, pai
Vai criar jeito, aí...

Compaixão, amor
Até maior, parecem
Tristeza, negar, não
Levanta a cabeça, pai
Vai criar jeito, aí...

Acorda, pai
Comprei esse vinho
“Bora bebê-lo?”
Está melhor, você
Gostou dele?